Dia 9 de fevereiro deste ano perdi o melhor amigo que tive na vida: MAX, um Terrier Brasileiro, ou Fox Paulistinha como queiram, de 14 anos e 4 meses. Ele passou mais da metade da minha vida comigo e seu desaparecimento não é uma coisa fácil de aceitar.
Quando eu tinha 12 anos, perto de completar 13, minha mãe me perguntou se eu não queria um cachorro de Natal. Isso foi em dezembro de 1992. Como sempre gostamos dos cachorros de minha tia, que eram da mesma raça, minha mãe sugeriu um Terrier Brasileiro. Através de um anúncio de jornal, lembrem-se que não existia Internet, achamos uma criadora na Lapa. Bom, daí pra ir buscar o cachorro foi um pulo e lembro até hoje do comentário da dona: "Pega esse que é o mais espertinho"! Foi o que fizemos. O resultado disso foi um filhote brincalhão, engraçado, que se tornaria o cachorro mais influente que minha família já teve.
Dos 27 anos que vivi, mais de 14 foram vividos com MAX. Aliás este nome foi dado por meu irmão, inspirado no líder da banda Sepultura, Max Cavalera. Na época eles eram grandes demais! Impossível não lembrar dos primeiros dias vividos com MAX, quando ele dormia numa caixinha, dentro do meu quarto. Eu recortei um pedaço da caixa para que pudesse fazer carinho sem que eu morresse de torcicolo. Só assim ele não chorava! Depois, já no quintal, passou a ser um excelente cão de guarda, atento à tudo e todos, respeitado até pelos vizinhos.
Os passeios na rua, que deveriam ter sido em maior número, eram um desafio! Ele simplesmente não tolerava qualquer outro cachorro que cruzava seu caminho e puxava que nem um louco para poder brigar. Uma vez na Praia Grande, eu lembro dele ter tentado atacar um cachorro que tinha mais que o dobro de seu tamanho. É lógico que o outro dono acabou reclamando.
Ele passou 4 Copas do Mundo com a gente, o que lhe garantiu bons churrascos! Em 1994, enquanto seus donos comemoravam algum gol do Brasil, ele simplesmente comeu metade de uma picanha, numa boa, sem que ninguém percebesse. MAX era um cachorro faminto, muito mal acostumado, que queria tudo que a gente estivesse comendo, aliás como todo bom cachorro deve ser.
Ele faz muita falta, seus rompantes de cão de guarda na garagem, seus pulos na porta, seu latido forte e acima de tudo sua lealdade ficarão para sempre na minha memória e de minha família. Nunca tivemos um cachorro que tivesse durado tanto e que estivesse de tal forma inserido no meu cotidiano, que é difícil desassociar a minha imagem da imagem dele. Acredito que eu deva estar um pouco mudado agora, mesmo que involuntariamente. Estou totalmente desacostumado a não ter o MAX para me fazer companhia. Ele pedia tão pouco em troca.
Uma insuficiência renal levou meu melhor amigo, mas não conseguiu varrer do mapa nem uma lembrança sequer. Todas estarão guardadas para sempre no meu coração. Um clichê que é o maior lugar comum de todos, mas que continua sendo verdade: o melhor amigo que um homem pode ter é um cachorro, ainda mais quando ele passa tanto tempo do nosso lado.
MAX, aonde você estiver, lata bem forte por mim e por toda sua família, que gostou muito de você.